Palestra com Mário Cortella reúne 450 pessoas para discutir Educação

Com o objetivo de promover uma grande dicussão sobre a Educação no século XXI e formas mais eficazes de interagir com os filhos e estudantes, a Associação de Pais e Mestres do Marista Aparecida, Apamea, promoveu no dia 9 de março, uma palestra com o professor, escritor e filósofo Mário Sérgio Cortella, um dos palestrantes mais conceituados do Brasil quando o assunto é educação. O evento foi realizado na Fundação Casa das Artes e reuniu mais de 450 pessoas, grande parte desse público composta por pais e educadores do Marista Aparecida. 


O evento reuniu mais de 450 pessoas na Fundação Casa das Artes

Na palestra, Cortella falou um pouco da sua infância e das diferenças que percebe em relação aos tempos atuais, em que os pais são muito mais permissivos e têm dificuldades em colocar limites e dar responsabilidades aos filhos. "Temos que ter mais competência na nossa amorosidade, o amor vale, mas tem requisitos, exigências, o amor que aceita tudo é irresponsável. É por amor que os pais não podem aceitar tudo dos filhos, que tem que educar. Temos que ter muito cuidado com a ideia de poupar os filhos, que muitas vezes pode enfraquecê-lo", destaca.

Trazendo um pouco das histórias da sua criação e da infância dos seus filhos, o palestrante ressaltou a importância do esforço na vida das crianças e jovens. "A maioria dos jovens de hoje não tem ideia de esforço, algumas pessoas estão criando crianças com a ideia que vaca dá leite, que não tem que tirar, acordar cedo, ir para o curral, estamos formando gerações fracas de serviço e sem capacidade de esforço e para mudar isso precisamos de um pacto entre a família e a escola. Não adianta falar que não tem mais jeito, sempre podemos mudar, admitir uma falência na nossa capacidade de ação é algo muito perigoso", conclui. 

Ainda discutindo os comportamentos familiares, o palestrante destacou a importância da convivência entre os membros da família para a formação das crianças e jovens. "Família deve ser uma comunidade de vida, partilha de trabalho, esforço e dedicação de todos, estamos percebendo a degradação da convivência aos poucos, do estar junto, do conhecer um ao outro e não podemos deixar chegar a esse ponto. É papel da família se unir e criar tempos de convivência, longe das distrações, das tecnologias", destaca.


Na palestra, Cortella falou sobre a educação no século XXI e o perfil dos educadores

Sobre as escolas e o papel dos professores frente a esse jovem do século XXI, Cortella destacou que a falta de interesse deles vem do fato de que eles são do século XXI, os professores seguem um modelo do século XX e os materiais utilizados são do século XIX. "Os estudantes gostam do colégio, eles têm dificuldades nas aulas porque a geração, o entendimento deles é outro e nós temos que mudar também. Temos que fazer com que os conteúdos sejam os pontos de chegada, não os pontos de partida, antes temos que interessá-los, fazer com que tenham gosto em aprender", explica.

O perfil necessário para ser educador dessas novas gerações também foi um dos assuntos abordados pelo palestrante. "Amorosidade é sim um elemento decisivo para a carreira da docência, mas sem competência técnica não é suficiente, é só boa intenção", conclui. 

Concluindo sua fala, Cortella resume que a educação como um todo precisa ter um perfil de 3 virtudes: generosidade mental, coerência ética e humildade intelectual, ou seja, a capacidade de estarmos sempre ensinando e aprendendo algo. 

Após a palestra, o autor permaneceu no local conversando com o público e autografando os seus livros. 

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