Natal: Nasce a esperança de uma nova humanidade

 
 
Há aproximadamente 700 AC, o Profeta Isaías anunciava, em um ‘tempo presente’, - o nascimento de Jesus: “um Menino”. Como reza a Escatologia, a ciência das realidades teológicas futuras e eternas, um “já ainda não”, significando a certeza de sua presença humana-divina na Humanidade.
 
Jesus foi esperado (O Esperado, o Messias) por muito tempo pelo Povo de Israel que cultivou a espera e a certeza da Esperança. A Esperança que desperta a humanidade atrofiada, a alma adormecida e o Deus esquecido nos porões da cegueira dos próprios interesses, sem contemplar horizontes que Deus sonhou para seu Povo.  E assim Jesus nasceu, como anunciado, na pequena e insignificante cidade de Belém da Judéia, próximo, mas não no centro político e religioso da Palestina. Por um ‘decreto’ do Imperador, a Família de Nazaré deslocou-se para o recenseamento, o qual traduzia bem os interesses dos opressores e poderosos da época. Esse foi um dos primeiros sinais da humanidade adormecida. E ele nasceu assim, na simplicidade humana e no descaso dela também, sem acolhida pela sociedade, mas na acolhida da natureza e dos mais simples.
 
O Natal de Jesus desperta a possibilidade de uma nova Humanidade, de novos sujeitos:  humanos, sensíveis e solidários. É o início de algo já anunciado muito tempo antes, que se torna “Boa Notícia”, Evangelho, anúncio no sempre tempo presente. Jesus, em seu Natal, nos anuncia que a humanidade é comunhão com a Terra e o Céu, onde se encontram anjos, pastores, animais, noites e luz, estrelas, magos, família, habitação. Natal é alegria e esperança nascida do amor, do próprio Deus, do Deus Menino, o Anunciado.
 
O Natal de Jesus nos convida a reencontrar a humanidade adormecida pelas motivações diárias, rotineiras e materiais, que estão aquém da beleza e leveza da vida, dos encontros e do amor que a move.  É um dos maiores desafios no tempo atual de inúmeras e rápidas mudanças que não a levam em conta. Há um movimento internacional que nos convida à pausa, ao desacelerar-se. A isso também nos convida o Ano La Valla, no contexto do Bicentenário, a cuidar da nossa mística e da interioridade. Precisamos considerar a necessidade de pertencer, ser cuidado e de amar; recuperar a reflexão e a capacidade de estarmos juntos.
 
Jesus, a Esperança, é a possibilidade concreta de caminho, de verdade e de vida para todos os que querem se encontrar e cultivar a humanidade em si e nas relações. E é por isso que com o Natal de Jesus renasce a esperança de uma nova humanidade.
 

Citação Bíblica indicada

 
“Porque um Menino nasceu, um filho nos foi dado. ” (Is 9, 5)

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