Advento | Espera de um novo mundo

“Esperamos novos céus e uma nova terra,
nos quais habitará a justiça.”
2Pr 3, 13-14
 

Por que almejamos um mundo novo? Aquilo que ora vivemos e experimentamos não nos é suficiente? Talvez a frase do livro bíblico de Provérbios 2 nos sirva de parâmetro para justificar a paz inquieta que a pessoa que opta pelo seguimento a Jesus de Nazaré manifesta em relação ao contexto mundial de então: “nos quais habitará a justiça”. Se olharmos ao redor, não precisamos de muito esforço para percebermos situações de injustiça, o que nos leva a concluir que a justiça não é plena no mundo.

Estamos diante de um aspecto que pode trazer um sentido profético para nossa esperança neste tempo de advento. Temos a possibilidade de analisar o contexto mundial, tendo como critério o Projeto de Jesus, os pontos centrais de sua prática e anúncio, pois foi tendo em vista aquilo que Jesus traria de novidade que as pessoas da Palestina do Seu tempo fundamentaram a sua esperança.

Deus conta conosco para construir um novo mundo, onde a Sua justiça seja plena. Ele não chegará de forma repentina ou num estalar de dedos. Nós, seres humanos, somos complexos, diversos, sabemos o que precisa ser feito, mas somos processuais, quase sempre prudentes. Enfim, damos tempo ao tempo e aquilo que definimos como situações de injustiça, por vezes, perduram ao longo de gerações. Para quem professa a fé em Jesus de Nazaré, o tempo do advento é uma oportunidade propícia para envolver-se na construção de um novo mundo. Tal fé é transbordante de perspectiva, de sonho, de proposição, de paz inquieta, de causas humanizantes, de espiritualidade libertadora.

Nosso destino (se é que existe) não é estagnar, mas prospectar avanços, melhorias, caminhar felizes e firmes na meta contra toda a desesperança. Com boa dose de serenidade, um bom lugar para começar a tornar o mundo novo possível seja o que Juan Luis Segundo afirma (no livro a História perdida e recuperada de Jesus de Nazaré: dos sinóticos a Paulo): “Se não se liberta a ansiedade, o homem está enredado no círculo vicioso de seu egocentrismo, tão preocupado por si próprio, que não pode desbloquear-se para a aventura do amor”.

Que nosso ânimo seja persistente em permear a vida de esperança. Acreditamos que nosso agir acontece em vista de algo melhor. Nossa espera não é sem esperança, é dinâmica, ativa, vai em busca, faz algo para que as coisas não tão boas sejam melhores. A esperança nascida da fé no Deus de Jesus é potencialmente tensionada a produzir amor, justiça e solidariedade.

E notemos bem: a justiça de Deus não é mera declaração jurídica pois essa, antes de Jesus, escravizava as pessoas e se configurava como (in)justiça. A justiça de Deus é definida pelos critérios daquilo que Jesus chamou de Reino de Deus ou, “vida em plenitude” (Jo 10, 10). Nossa esperança de fato, neste advento, está alicerçada na corresponsabilidade em construir um novo mundo – o Reino de Deus?

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