Confira a entrevista do ex-aluno do Colégio que está no Canadá

Há seis meses, o ex-aluno do Marista Medianeira, Lorenzo de Almeida Mesquita, vive uma das mais importantes experiências de sua vida: morar e estudar em outro país. Ao finalizar os estudos no Colégio, em 2016, Lorenzo traçou o objetivo de realizar o 4º ano do Ensino Médio no Canadá, na cidade de Hamilton, localizada na província de Ontário. O ex-aluno pretende cursar Relações Internacionais no Ensino Superior, já tendo sido aprovado em 4 universidades canadenses. 

Em julho deste ano, Lorenzo visitou o Colégio e realizou uma palestra para os estudantes do 3º ano do Ensino Médio, além de uma entrevista para a Assessoria de Comunicação, na qual contou sua trajetória e aprendizados no Canadá e como funciona a educação no país. 

Lorenzo em sua formatura no 4º ano do Ensino Médio canadense

Assessoria: Por que você escolheu morar no Canadá?

Lorenzo: Estou morando no Canadá há seis meses, desde janeiro, na cidade de Hamilton. A partir do final de agosto, passarei a morar na cidade de Mississauga, onde se situa o campus da universidade que iniciarei. Em 2014, vim para a cidade de Hamilton em um Intercâmbio Marista com a agência de intercâmbios Strive, e foi a partir desse momento que comecei a me interessar em morar e estudar no Canadá. Repleto de fatores atrativos como segurança, educação reconhecida internacionalmente e altos índices de qualidade de vida, além de ter uma série de cidades entre as melhores cidades do mundo para se viver, é difícil não querer passar mais tempo no Canadá depois que se conhece o país. Além disso, é na cidade de Hamilton que se localiza o Columbia International College, instituição de ensino em que estudei a fim de concluir o ensino médio canadense.

Assessoria: Como é estudar em outro país, quais foram ou são seus maiores desafios?

Lorenzo: Estudar em outro país é desafiador e, ao mesmo tempo, gratificante. É preciso enfrentar barreiras como diferente idioma, distância da família e amigos, administrar bem o tempo e o dinheiro, além de se responsabilizar por tarefas domésticas. Dominar o idioma é questão de prática e tempo, e estar inserido em um ambiente onde a língua inglesa é falada 100% do tempo ajuda no aprendizado. Além disso, por ser um colégio de alunos internacionais, todos estávamos na mesma situação e enfrentando as mesmas barreiras, o que contribuiu para que as mesmas fossem superadas com a ajuda dos outros. Como o Canadá é um país extremamente pontual, estar na hora para todos os compromissos é fundamental, já que o atraso, mesmo que seja por poucos minutos, é visto como falta de responsabilidade pelos canadenses. Também é preciso se acostumar com a vida de adulto e controlar gastos, além de outras tarefas como lavar roupa e ir ao mercado regularmente. Com o tempo, isso tudo passou a fazer parte da minha rotina e acabei me acostumando a ela.

Um dos certificados de mérito escolar recebido pelo ex-aluno

Assessoria: Quais foram seus maiores aprendizados?

Lorenzo: Fazer um intercâmbio é estar em constante aprendizado. É aprender a se adaptar, a correr atrás das próprias necessidades, a ter uma rotina, a lidar com pessoas e a fazer escolhas. Tudo isso está relacionado ao método de ensino canadense, cujo ensino médio é composto por quatro anos e, nos dois últimos, o próprio aluno faz a escolha das matérias que deseja estudar de acordo com a profissão que o mesmo queira exercer no futuro. Além disso, por ser um colégio internacional, o contato com diferentes culturas é mantido durante todo o tempo, fazendo com que o aprendizado aconteça não somente dentro da sala de aula, mas também no refeitório e nas residências. Dividir o quarto com outras pessoas também é uma forma de aprendizado, já que é preciso saber conviver adequadamente para ter uma boa experiência.

Assessoria: Como a educação/ ensino que você recebeu no Colégio ajudou no seu desempenho acadêmico e na sua aprovação em uma universidade estrangeira?

Lorenzo: O Colégio sempre buscou instigar e despertar a proatividade e a liderança nos alunos por meio de atividades como a Pastoral Juvenil Marista e o Grêmio Estudantil, dos quais fiz parte e contribuíram para que eu desenvolvesse habilidades de comunicação, reflexão, trabalho em equipe e autoconfiança. Tudo isso reflete no desempenho acadêmico e é analisado pelas universidades estrangeiras em conjunto com as notas obtidas pelo estudante. Além disso, os professores que tive no Colégio fizeram com que eu estivesse preparado para novos desafios e me motivaram e incentivaram a correr atrás dos meus objetivos. Dessa forma, dedicação foi a chave para que todo o resto acontecesse. Aliado a isso, uma rotina de estudos é importante para manter o conteúdo em dia e desenvolver responsabilidade. Os diferentes modos de aprender que o Colégio proporciona, além da boa infraestrutura, facilitam e impulsionam o processo de aprendizado, melhorando o desempenho acadêmico. Isso faz com que várias habilidades sejam desenvolvidas, o que é observado por universidades estrangeiras.    

Lorenzo em visita ao Colégio, trazendo as medalhas de mérito de melhor nota da turma

Assessoria: Conte como foi o processo até sua aprovação na universidade.

Lorenzo: Como no Canadá não existe vestibular, são as próprias universidades que chamam o aluno de acordo com seu desempenho acadêmico, envolvimento com a comunidade e atividades extracurriculares. Para se inscrever, o aluno deve acessar a página de cada universidade que deseja aplicar e preencher as informações. Universidades localizadas na província de Ontário possuem um site específico, o OUAC – Ontario Universities Application Centre, onde o aluno cria um único perfil para se inscrever em universidades dessa província. É dever da escola informar as devidas notas, serviço comunitário e atividades extracurriculares para que as universidades se mantenham atualizadas sobre o estudante.  Alguns cursos requerem que o aluno faça matérias específicas durante o ensino médio. No meu caso, me inscrevi em quatro universidades para estudar Relações Internacionais: Universidade de Toronto, Universidade de York, Universidade de Carleton e Universidade de Windsor, conseguindo aprovação em todas. Para isso, tive que cursar duas matérias obrigatórias durante o ensino médio: inglês e funções avançadas. Todas as outras matérias foram escolhidas por mim, dentre elas história mundial, international business, geografia, antropologia, psicologia e sociologia. Além de analisar meu desempenho nessas disciplinas, as universidades também observaram meu envolvimento na comunidade, já que são necessárias, no mínimo, 10 horas de serviço comunitário para receber o diploma do ensino médio. Escolhi o curso de Relações Internacionais porque sempre me interessei pelas ciências humanas e sociais (economia, política, sociologia, história e geografia), e consegui encontrar todas essas áreas no curso, o qual realizarei na Universidade de Toronto.

Assessoria: Pretende seguir carreira profissional no Canadá ou em algum outro país?

Lorenzo: Por ora, pretendo conhecer o curso de Relações Internacionais e identificar a área que mais me interesso dentro do curso, para depois ver quais possibilidades terei dentro dessa área. Entretanto, é sempre bom estar com a mente aberta para uma série de oportunidades. Sendo assim, ainda é cedo para fazer afirmações sobre minha carreira profissional.

Os estudantes do 3º ano EM puderam fazer perguntas e conversar com o ex-aluno sobre suas experiências

Assessoria: Como é sua rotina (atividades, etc.)? Como você administra a distância da família e amigos?

Lorenzo: Pela manhã, pego o ônibus por volta das 7h para a escola, onde tomo café e converso com meus amigos até o início das aulas, que começam às 9h e terminam às 16h, com pausa para almoço, também na escola. Cada período possui 1h20min, inclusive o período de almoço. Após a aula, em alguns dias, eu participo de clubes, como teatro, liderança e fitness, que duram 1 hora. Após os clubes, volto à residência para jantar, fazer os temas, conversar com meus amigos e ter um tempo livre. Às onze horas da noite é preciso estar no quarto, e é geralmente nesse horário que eu durmo. A distância da família e amigos é “diminuída” por meio das redes sociais, que facilitam a comunicação. Com o tempo, isso se torna algo comum e o estudante passa a lidar com a distância de maneira natural.

Assessoria: Estando fora, como você vê o nosso país e o que gostaria de fazer para ajudar a melhorar o Brasil?

Lorenzo: O Brasil é um país com um enorme potencial, tanto natural quanto econômico, e os brasileiros são bastante conhecidos em outros países por gostarem de futebol, festas e por serem animados. Entretanto, o que os outros países enxergam - e que de fato é verdade - é que o Brasil ainda tem muito para desenvolver e vários problemas para solucionar, principalmente no que diz respeito a esferas sociais e políticas (o Brasil é fortemente conhecido por apresentar altos índices de corrupção e pobreza). A mudança começa no próprio indivíduo, que deve rever suas próprias atitudes ao invés de apontar os erros dos outros, caso que ocorre frequentemente em relação à corrupção. Nessa situação, indivíduos condenam a corrupção política, mas furam a fila do banco, estacionam em vagas especiais indevidamente, ou não devolvem o troco que receberam em excesso, por exemplo. Além disso, a falta de envolvimento com a comunidade e as esferas sociais existe, e são poucas as pessoas que praticam serviço comunitário ou que fazem trabalho voluntário. Sendo assim, para que o país melhore, cada indivíduo deve se aperfeiçoar e motivar o aperfeiçoamento do próximo, para que uma reação em cadeia aconteça e impacte de forma positiva o nosso país.   

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