Quaresma: Renovação para um novo começo

“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5)

Vivemos, a partir de hoje, o período de Quaresma. Os quarenta dias que antecedem a Páscoa recordam os 40 dias que Jesus esteve no deserto, enfrentando as dúvidas que o sistema político e religioso da época lhe impuseram, opondo-se ao que Ele pregava e fazia, de modo novo, em benefício da vida em plenitude.

Neste sentido, a quarta-feira de Cinzas, sempre um dia após o Carnaval, representa o início de 40 dias de reflexões, um processo de discernimento para enfrentar as situações que ferem a comunidade da vida. É um tempo propício, favorável, soma de dias suficiente para profundas mudanças, renovações. É um período que se apresenta como símbolo de transformação e passagem. É tempo para um novo começo, revisando o modo de vida para perceber se o amor está sendo praticado com a radicalidade que ele exige.

Cultivar o amor cotidianamente desafia ainda mais a quem professa a fé cristã a abrir-se para o cuidado com as pessoas e com todas as formas de vida do planeta.O Espírito Santo de Deus está entre nós e em nós apontando para situações urgentes que precisam de uma decisão pessoal, consistente e persistente. O Espírito não age só, precisa da colaboração dos seres humanos para que “todas as coisas sejam novas”. Por isso, revisar as relações que estabelecemos com tudo o que nos rodeia, se constitui em um imperativo chamado à humildade, pois são as relações que revelam nosso jeito imperfeito de amar.


No dia 1º de março, também é lançada a Campanha da Fraternidade


Para ajudar nessa revisão, as Igrejas cristãs incentivam a prática do jejum, oração e esmola, exercícios que podem ajudar a viver profundamente a graça dos encontros e o que eles proporcionam. Tais exercícios não são meros rituais isolados. Assim como todo o ritual, eles preparam para algo maior, para uma efusão de alegria na Páscoa. Eles contribuem para mobilizar os sentidos e despertam a solidariedade diante da situação de pessoas que precisam de ajuda, mais do que nós.

O jejum, por exemplo, toca na necessidade do esvaziamento, do equilíbrio diante das vontades e de lutar para que não haja privação do direito à alimentação saudável. A oração é a súplica humilde para que a misericórdia de Deus transborde nas vivências pessoais e coletivas. Esmola é o amor partilhado. Não é dar coisas que sobram, mas aquilo que é de direito. Um bom critério para avaliar a prática destes três exercícios é perguntar-se: tenho um/a amigo/a pobre?

A Quaresma deve ser, ainda, um tempo oportuno para percorrermos o caminho de formação do coração. Cultivar e guardar nasce da admiração! Procure, nesse período, reservar um tempo para admirar.

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