O brincar na aprendizagem e no desenvolvimento infantil

No dia 12 de outubro comemora-se o Dia das Crianças. E quando se fala em criança é inevitável não se pensar nas brincadeiras infantis que povoam nosso imaginário. Muitos desconhecem o valor pedagógico do ato de brincar na formação da sociabilidade, nos processos de aprendizagem e no desenvolvimento infantil como um todo.

O brincar é um direito das infâncias, garantido por lei. A Declaração dos Direitos da Criança estabelece, em seus artigos 4 e 7, o “direito à alimentação, à recreação, à assistência médica” e a “ampla oportunidade de brincar e se divertir”. No Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 16, está garantido o direito a “brincar, praticar esportes e divertir-se”. E o Ministério da educação, por meio das diretrizes curriculares para a Educação Infantil (2010), define como eixo das práticas educativas nesse nível de ensino, as interações e brincadeiras. 

Às famílias, compete o dever de zelar e responsabilizarem-se pela garantia desses direitos no desenvolvimento de suas crianças. E na escola, como fica garantido esse direito? As escolas têm o dever de oferecer tempo e espaços amplos e apropriados para a estimulação de brincadeiras que sejam propícias às atividades de interação, aos movimentos de subir, descer, correr, saltar, arremessar, jogar, etc.

As práticas pedagógicas que integram o currículo da Educação Infantil devem garantir vivências e experiências onde as crianças possam fazer simulações, recriar contextos significativos de sua realidade social e familiar, em que se evidenciem conhecimentos como por exemplo: noções e relações de quantidade, medidas, tamanhos e formas de expressão dos pensamentos, sentimentos e jeitos de se relacionar.

O papel do educador, nesse processo, é o de preparar o ambiente do espaço pedagógico para propor situações didáticas que possibilitem, às crianças, sistematizarem e socializarem os conhecimentos construídos. As crianças precisam estar motivadas e sendo provocadas para pesquisarem, levantarem hipóteses, selecionarem e interpretarem dados, fazerem escolhas e tomarem decisões, sem seguir fórmulas predeterminadas, tudo por meio de situações de brincadeira e de jogos lúdicos, preparados, intencionalmente, para desenvolver habilidades.

O educador precisará estar atento às situações que irão surgir durante as brincadeiras e estar munido de uma pauta de observações para fazer registros das ações e reações das crianças diante das situações orientadas e mediadas, ou nas brincadeiras livres, com a finalidade de realizar intervenções qualificadas para potencializar o uso da criatividade na resolução dos problemas que surgem durante o processo de construção do conhecimento.

Cabe ao educador, também, a função de prever e organizar momentos de socialização das soluções encontradas pelas crianças, contribuindo para que aprendam a comunicar suas ideias e defender seus pontos de vista, apresentando e compartilhando resultados com a coletividade.

Eis, pois, algumas das razões que nos fazem, como educadores, sermos fieis defensores do direito da criança poder brincar e aprender de forma lúdica em casa e na escola. Que esse Dia das crianças sirva para famílias e educadores refletirem sobre a importância desse tema e reafirmar a posição em defesa da garantia dos direitos das crianças.


Texto escrito pela educadora
Marisa Crivelaro da Silva
Diretora do Colégio Marista Sant'Ana

Publicado na Revista Via Pampa. Ed. Out/2017.

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