Natal: a Luz de um novo começo

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9, 1)
 
No tempo de Jesus, aos sábados pela manhã, as ‘mulheres mães hebreias’ acendiam a lamparina de azeite da casa e pronunciavam a única oração que poderiam recitar em voz alta, um significativo louvor a Deus: “Obrigado, Deus por me dar a possibilidade de acender a luz a esta casa”. Há uma proximidade nessa oração, e talvez tenha nascido dali a expressão pronunciada até os dias de hoje: “a mulher deu à luz”. A criança quando nasce, não somente tem a possibilidade de ver a luz do dia, mas ela própria é uma nova luz. Cada criança que nasce é um ‘novo começo’, uma nova possibilidade de encontro com o humano, por vezes esquecido e maltratado.
 
O escritor uruguaio Eduardo Galeano apresenta o sonho do Índio da Aldeia de Neguá, na Colômbia, que ao ter subido ao céu, na alta montanha, e contemplado a cidade lá de cima, durante a noite, viu um ‘mar de fogueirinhas’ e criou a analogia de que “cada pessoa é uma fogueirinha... cada uma brilha com luz própria”.
 
O profeta Isaías, em 700 A.C., anunciou o nascimento de Jesus, como ‘uma grande luz’: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9, 1). A própria estrela de Belém foi vista pelos Magos do Oriente como o sinal do nascimento de Jesus. Ela iluminou a todos, mas somente eles foram surpreendidos e a reconheceram. Tiveram fé no que ela anunciava, resolvendo então seguir este sinal. A mesma luz foi atestada pelo próprio Jesus: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas” (Jo 8, 12) e em outro diálogo afirma: “Vocês são a luz do mundo...” (Mt 5, 14).
 
Natal é a festa da luz! No tempo do Império Romano, entre os dias 17 e 23 de dezembro, festejava-se a maior festa: o ‘dia do Sol’ (Saturno). Era uma festa civil, parecida com nosso carnaval. A alegria tomava conta dos povoados. Com o Imperador Constantino, por volta do século III, quando o Império foi cristianizado, a Festa da Luz passou a ser a festa do Natal de Jesus, a grande Luz.
 
Natal é a oportunidade de um novo começo, uma nova possibilidade, um novo caminho. Natal é berço de um farol que indica a direção do coração e ao mesmo tempo ilumina horizontes. Caminhar na luz, seguir, contemplar, acender a luz interior, nos permite olhar o mundo de maneira diferente, humana, sábia e serena. A sensibilidade espiritual nos leva a admirar e a contemplar também a luz da outra pessoa considerando-a meu irmão, minha irmã, meu próximo, alimentando um novo olhar. Luz que transforma nosso jeito de estar no mundo e sensibiliza outras pessoas a encontrar a sua própria. Natal, não esqueçamos, é a celebração do nascimento de Jesus, a Grande Luz.
 
Que nossos encontros de família e de amigos, nossas viagens, abraços, sorrisos e descansos estejam impregnados dessa novidade, porque neles o sol nasce, independente se estamos atentos ou não. Mas quem se dá conta de todos esses lindos mistérios vive com mais sentido e serenidade, e tudo porque, como afirma Jesus: “anda na luz”.

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