Estudantes debatem e escrevem redações sobre padrões de beleza

As professoras Helen Dagiós (Língua Portuguesa/Redação) e Olívia Store (Sociologia) desenvolvem o projeto Pensou lá, escreveu cá, no qual os estudantes do Ensino Médio escrevem textos nas aulas de Redação sobre os assuntos debatidos no período de Sociologia. A atividade colabora na preparação dos jovens para o vestibular e o Enem. 
 
 
O primeiro tema abordado pelo projeto foi padrões de beleza. Confira as redações das estudantes Natália Melo Polo e Manoela Fredo Moraes (1º ano EM) sobre o assunto:
 
Texto da Manoela Fredo Moraes:
Por trás do corpo perfeito: como os padrões afetam a sociedade?
 
Na maioria das empresas que gerenciam ídolos na Coréia do Sul, a beleza é fundamental para o sucesso. Esse fato se confirma, por exemplo, na letra de Nobody’s Perfect (Ninguém é Perfeito), da cantora KittiB: “Para me tornar a melhor, preciso resistir ao último biscoito, magras é o que a TV quer”. Com isso, fica clara a quantidade de danos que o culto ao corpo traz à sociedade.
 
No entanto, não é só a nação sul-coreana que sofre com a supervalorização do físico. Em anúncios, filmes, séries e afins, os padrões de beleza são extremamente rígidos e até inalcançáveis, sendo grande parte desses exclusivos a uma parcela minoritária da população, como pode ser observado na grande maioria das mídias que apresentam a combinação de pele clara, olhos e cabelos também claros e corpo magro. 
 
Uma consequência grave e cada vez mais presente dos padrões de beleza é a quantidade de transtornos psicológicos que acometem principalmente os jovens. Ao ver fotos extremamente editadas e modelos com corpos considerados perfeitos, um indivíduo “fora do padrão” se torna inseguro, levando facilmente a uma dismorfia corporal e, em seguida, a transtornos alimentares, que, dependendo da gravidade, custam a passar e deixam sequelas graves. 
 
A curto prazo, é improvável que se eliminem os padrões. Entretanto, é imprescindível que o corpo “perfeito” seja não uma noção estética, mas uma noção saudável. Edições exageradas em fotos, que por si só estimulam a dismorfia, devem ser fiscalizadas, e as escolas podem investir em campanhas sobre amor próprio e autoconfiança, cortando assim o problema pela raiz. A beleza do corpo sempre deve ser menos importante que a saúde do indivíduo. 
 
Texto da Natália Melo Polo:
 
Conforme Augusto Cury, “toda beleza é imperfeitamente bela”. Todavia a atualidade, conjunta de mídia e exposições, constitui uma padronização à beleza do corpo humano. Resultando assim em atribulações dentro de uma sociedade comovida por paradigmas estabelecidos. Desse modo, impressões relacionadas à beleza ideal acabam equivocando-se a uma beleza saudável.
 
Um corpo musculoso, “maromba” e corpos extremamente magros são considerados, respectivamente, o seguimento do arquétipo de homens e mulheres. Logo, ambos acabam confundindo-se em o que realmente é a beleza: cuidar do próprio corpo de forma salutífera e respeitosa à saúde física. Contudo, a não reciprocidade entre essas é fruto dessa padronização tão presente na atualidade. 
 
Segundo pesquisas realizadas pela marca de cosméticos Dove, contata-se que apenas 4% das 6400 mulheres entrevistadas se sentem seguras o suficiente para se definirem como belas. A exibição do corpo ideal e a busca inalcançável desse possui deveras consequências: baixa autoestima, afastamento da sociedade, anorexia, depressão e até mesmo suicídio. 
 
Conclui-se que padrões de beleza moldam as sociedades atuais, logo, atitudes devem ser tomadas para a cambiação desse ideal. A instalação de projetos relacionados ao cuidado saudável do corpo nas escolas e a apresentação de palestras em instituições, são algumas alternativas. Entretanto, estabelecer a relevância do real cuidado ao corpo dentro de uma cultura é um processo lento e contínuo. É preciso a conscientização de todas as pessoas dentro dos corpos sociais.